domingo, 2 de outubro de 2011

Shoot me, please shoot me now


A passada semana foi particularmente surreal para mim. Ainda não sei exactamente o que aconteceu mas sei que do outro lado do Universo estão um conjunto de deuses a conspirar contra mim. A criatura a quem me referi no post anterior é um colega da faculdade que conheci uns meses antes do final do passado ano lectivo. Falamos um par de vezes, fomos ao café mas nunca nada de especial. Sobretudo porque depois vieram as férias e lá fui para a ilha e não voltámos a falar. Sempre vou à Madeira ou mesmo quando volto para Lisboa evito fazer um grande alarido, tento ser discreta e não anuncio ao mundo. Não faço questão de colocar no Facebook e as únicas pessoas a quem aviso são um ou outro amigo mais próximo, sobretudo porque não vejo qual o sentido a andar a fazer actualizações ao minuto da minha vida que nem estrela de Hollywood. Mas mal sabia eu do quanto as coisas mais banais da minha vida são motivo de preocupações alheias. Tudo começou quando a santa criatura pediu para falar comigo um dia destes à noite. Lá fui eu, temendo já pela minha vida, não fazendo ideia do que seria tão importante que não poderia esperar pelo dia seguinte, pela luz do dia e pela presença de mais testemunhas. E o que me esperava era um pedido de explicações. Nem mais, tive de explicar o porquê de não ter dado notícias durante o Verão, o porquê de não ter avisado que tinha já chegado à Lisboa, o porquê de não ter os meus fins-de-semana todos reservados só para ele, e só não tive de lhe explicar o que quis dizer com cada uma das mensagens que lhe enviei até hoje porque entretanto já eram horas de ir para a caminha. Explicações idiotas que não dou nem à minha melhor amiga tive de dar a alguém que mal conheço. Alguém que fica a analisar durante duas semanas um “Olá” que eu escrevo em dois segundos como se esperasse lá encontrar alguma mensagem encriptada. Acontece que eu não me esforço assim tanto. Não faço jogos nem mando mensagens com duplos significados. O que tiver a dizer digo e de preferência pessoalmente. Nessa noite os níveis de surrealismo na minha vida atingiram topos até agora desconhecidos. E eu literalmente não sabia o que fazer por não fazer ideia do que me estava a acontecer. Parecia-me tudo um ataque de ciúmes qualquer mas ao mesmo tempo também parecia ser apenas a personalidade dele. Seja como for a única coisa que conseguia pensar, mas que infelizmente não conseguia expressar, era “tu não me conheces de lado nenhum”. Portanto decidi que a única forma de manter um mínimo de sanidade mental seria evitar contacto com esta criatura, assim não corria risco de incentivar qualquer tipo de comportamentos. Mas é claro que isso não o impediu e a única maneira de o fazer perceber que há limites foi mesmo sendo antipática. E estivesse eu nas tintas para esse facto o assunto teria morrido ali, ele teria percebido que não aprecio que me controlem e não teríamos de falar mais. Acontece que me senti culpada e lá aceitei contrariada o convite para ir ontem ao café. E eu tinha razão, nunca deveria ter saído de casa. Não só foi uma tarde cheia de silêncios embaraçosos como no final ele declarou-se. Mesmo antes de ter de me deixar em casa, saiu-se com um “começo a gostar de ti”. Para as minhas amigas já era mais do que óbvio que ele gostava de mim e nem percebem como é que eu era a única que não via isso. Em minha defesa cabe-me dizer que é impossível gostar de alguém que mal conhecemos, que essa coisa do amor à primeira vista é muito bonita mas é treta. Tanto quanto ele sabe eu posso ser até uma pessoa bastante horrível, do tipo que mata gatinhos com a faca da manteiga. Foi por isso que não dei muita importância, desvalorizei o que ele me disse devido à falta de motivos razoáveis. Isto até me lembrar que também eu desenvolvi esta paixão pelo John sem o ter conhecido assim tão bem, que tanto quanto eu sei ele também pode gostar de matar gatinhos com a faca da manteiga. Sim eu sei, tremenda hipócrita Marta!

Talvez devesse pegar na tal faca da manteiga e cortar antes os pulsos.

1 comentário:

susana disse...

Adorei este post. ainda que pareca descabido dizer-to ;)